TIMOR: Reintrodução da Língua Portuguesa

Aproveitando o fato de lecionar um bimestre (16 de Janeiro a 16 de Março de 2008) na Universidade Nacional de Timor Leste, em Dili, concebi um projeto para obter dados e informação da situação da língua portuguesa naquele país, especialmente por se estar a desenrolar uma ação de planeamento linguístico português invulgar: O Projeto de Reintrodução da Língua Portuguesa (em Timor).

Este projeto não contou com nenhum apoio formal de nenhuma instituição.A minha intenção não era a de analisar o formato institucional que as autoridades nacionais tinham escolhido – digamos de forma bizarra – colocando-o sob a administração do IPAD e não de nenhuma das entidades que normalmente gerem este tipo de realidades, e, consequentemente, dispõem de recursos especializados para o efeito, nomeadamente o Instituto Camões, o Ministério da Educação, etc. O que me moveu foi interpelar a realidade timorense e tentar obter dados objetivos que permitissem, no presente, e especialmente no futuro, poder balizar situações, estádios, progressos, etc.

Tomei como referência um grande inquérito realizado na Nova Zelândia para a revitalização da língua Maori, não só pelo rigor teórico e instrumental daquele trabalho, mas por constituírem – no domínio científico do Planeamento Linguístico, em que me inscrevo – constituírem trabalhos num mesmo domínio de Aquisição.

Construí um QUESTIONARIO, assim como o subjacente Guia para a Construção de uma Base de Dados, procurando o apoio de engenheiros informáticos portugueses também a lecionar na UNTL, para o que contei com a ajuda preciosa do Doutor Duarte Trigueiros, e ainda as Instruções de Preenchimento.

Aproveitando o fato de lecionar a disciplina de Sociolinguística, organizei com os meus alunos a aplicação do questionário em alguns bairros de Dili, e em duas outras cidades: Manatuto e Liquiçá. Conseguimos mais de duzentos questionários.

O Projeto de Reintrodução da Língua Portuguesa apoiou a aplicação do questionário em mais localidades, enviando-me posteriormente cerca de duzentos outros questionários completos. A amostra conseguida, pela quantidade e pela qualidade, pode considerar-se válida.

Em Lisboa consegui – por relações de amizade – a introdução dos dados em SPSS. Mas não pude, até hoje, continuar o trabalho. As imposições do meu vínculo profissional, cada vez mais exigentes, obrigaram-me a focar a minha atenção e o meu tempo nas tarefas crescentes que qualquer docente universitário português tem vindo a experimentar. Espero poder retomar este projeto em breve.

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